Dr. Yglésio

Médico, professor universitário e deputado estadual

Desde os dois anos e meio de idade, comecei a estudar na escola e de lá nunca mais parei de ter como meta o aprimoramento intelectual. Por conta da fragilidade financeira da minha família naquela época e extremamente pautado pelos estímulos maternos de estar sempre em destaque, creio que me tornei uma pessoa com raízes muito competitivas. Rankings escolares, aprovações em primeiro lugar em vestibulares, sucesso em mais de vinte concursos públicos, doutorado antes dos 30 anos, alcançar esses resultados era o que fazia sentido na minha vida até alguns anos atrás. Fato é que ano que vem completarei 40 anos de idade. A considerar a expectativa de vida de um brasileiro de classe média, posso dizer que avanço para a segunda metade da vida. Feliz por tudo que Deus me oportunizou e extremamente grato pelo resultado das coisas em minha vida, assim sigo adiante.

Carl Jung, pai da Psicologia Analítica, costumava dizer que um homem vive até os 40 anos uma interação com a realidade completamente diferente daquela que viverá após os 40. É grande a possibilidade de ocorrer uma mudança de comportamento ou da forma que um ser humano experimentará a percepção da realidade. Esse processo complexo foi descrito por Jung pelo termo metanoia. Comportamentos extremamente extrovertidos podem migrar para uma introversão completa e o contrário também é verdadeiro. Se pudesse resumir toda essa discussão numa única pergunta com cunho autobiográfico, ela provavelmente seria: o que mudou na minha forma de ver a minha vida? Aí, provavelmente responderia:-eu aprendi a perder. É justamente aí o ponto de virada na minha estrutura emocional. Só um homem que consegue aceitar de maneira resignada uma derrota e aprender com ela está preparado para chegar à vitória e transformá-la em um poderoso ativo de transformação da realidade.

A política é capaz de transformar vidas, de alcançar gente que antes seria “invisível”. De certa forma, eu experimento essa sensação há quase duas décadas na Medicina, mas devo admitir que vivia isso de uma maneira mais restrita, já que a política oportuniza transformação de vidas em série e, diante disso, afirmo que a sensação de ser agente da mudança dentro de um sistema tão violento quanto o nosso sistema político é indescritível. A alegria que sinto por estar deputado é indizível. Ao ano de 2019 e ao Povo do meu Estado, sem ressalvas, só tenho a agradecer.

Sempre fui altamente disciplinado nas minhas missões e neste ano consegui concluir o ano sem faltas na Assembleia Legislativa, ficando, portanto, no primeiro lugar do ranking de assiduidade. Ficamos também com o primeiro lugar no ranking de produtividade legislativa da Casa do Povo, com mais de 540 proposições, entre: indicações, moções, projetos de lei, projetos de resolução legislativa, projetos de lei complementar, propostas de emendas à Constituição Estadual (PEC) e emendas a projetos de outrem. Não apenas tivemos preocupação com números, colocamos a qualidade das proposições como requisito chave, o que nos fez aprovar boa quantidade de projetos, inclusive com promulgação da emenda constitucional que legitimou a Iniciativa Popular para propositura de PEC’s; sem dúvidas, um grande avanço na vivência democrática e participação popular no Estado. Não poderia falar do trabalho e deixar de enumerar a quantidade de relatorias (ao todo foram 90), distribuídas entre a Comissão de Constituição e Justiça e a Comissão de Saúde.

No tocante à cidade de São Luís e seu papel metropolitano, discutimo-la ativamente na ALEMA e promovemos audiências públicas sobre metropolização, abastecimento de água e realizamos, com inegável ineditismo, o 1º Fórum Maranhense de Mobilidade Urbana, para discutir a problemática de transporte e mobilidade em nossa cidade. Fizemos a indicação do projeto “Beira-Mar de todos” e realizamos também a audiência pública, visando ampliar a ocupação do Centro aos domingos, por acreditar que o estímulo ao sentimento de pertencimento é o melhor caminho para resgatar nossa memória cultural e preservar o nosso patrimônio histórico. Como ludovicense nato e apaixonado por esta cidade, tenho certeza que há muito ainda a caminhar, mas há convicção que primeiros passos firmes foram dados.

O final de todo ano costuma deixar no ar um clima de nostalgia- não para mim! Posso resumir este ano em 3 palavras:  trabalho, gratidão e amor. Ao final do nosso primeiro ano de mandato, jamais me poderia permitir qualquer sentimento de melancolia e muito menos achar que é o fim, ao contrário, sinto-me completamente eletrificado e renovado! Que venha o próximo ano não como um começo, mas sim como a continuidade dessa jornada de luta, esperança e fé! Desafios pela frente haverá sempre! Venceremos alguns muitos, perderemos alguns (poucos, espero), mas o coração está pronto pra manter a ternura e a mente segue focada para desenvolver o melhor trabalho possível.  Na Assembleia Legislativa, seguiremos firmes por um Maranhão cada vez melhor para se viver, apresentando projetos que realmente possam fazer diferença na vida das pessoas. Legislar por um Maranhão justo e que consiga de fato enxergar os invisíveis. Mais do que legislar, representar estes invisíveis!  Caro 2019, adiós amigo !Gracias! “Hasta la victoria siempre!”

Até 2020! Venceremos!