Em audiência realizada nesta quarta-feira (26), na Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Maranhão, o diretor-presidente da Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema), engenheiro Carlos Rogério Araújo, falou sobre a situação da empresa e, em especial, sobre o episódio da falta de água em 80 bairros, registrado há duas semanas, por conta de problemas na rede do Sistema Italuís.

A audiência foi conduzida pelo deputado Dr. Yglésio (PDT), que é vice-presidente da Comissão de Saúde, e participaram vários parlamentares, entre eles, Rafael Leitoa (PDT), Fernando Pessoa (SD), Adriano Sarney (PV), Wellington do Curso (PSDB), César Pires (PV), Adelmo Soares (PCdoB), Ariston Sousa (Avante), Helena Dualidade (SD), Pastor Cavalcante (Pros), Marco Aurélio (PCdoB), Vinicius Louro (PL) e Duarte Júnior (PCdoB).

Realizada no Plenarinho, a audiência começou de manhã e terminou no começo da tarde, por conta dos vários temas abordados no encontro. Carlos Rogério fez, então, uma explanação sobre a situação do órgão.

O presidente da empresa falou, por exemplo, dos investimentos feitos para melhorar o Sistema Italuis e ações adotadas para ampliar o abastecimento, em especial na Ilha, apesar da empresa enfrentar problemas financeiros. De acordo com o engenheiro, a empresa tem a receber R$ 800 milhões em dívidas. Ele disse que foram contratadas três empresas para receber essas dívidas ganhando comissão, modelo adotado há 60 dias, o que já mostrou um incremento na arrecadação de R$ 3 milhões.

Segundo o presidente, a empresa possui 2,3 mil servidores, com folha de pessoal totalizando RS 10 milhões/mês. Cerca de 500 servidores aposentados custam R$ 4 milhões. Seriam necessários investimentos de R$ 80 milhões para quitar as dívidas trabalhistas desses servidores, se fossem dispensados.

Carlos Rogério contou que, atualmente, o déficit mensal é R$ 22 milhões. Parte também pelo valor da conta de energia elétrica, em torno de R$ 9 milhões por mês. Só a conta de energia do Sistema Italuís é R$ 1,7 milhão/mês, mas a conta maior é com a Previdência Social e a folha de pessoal. O engenheiro informou que a empresa é deficitária desde governo anteriores, mas que, agora, medidas estão sendo tomadas para sanar as finanças.

Apesar dos números negativos, o presidente da empresa não defendeu a privatização da companhia, ao garantir que ela é viável a curto prazo; e aos poucos vem oferecendo água de qualidade e que a nova legislação em vigor está ajudando na sua recuperação. O engenheiro listou outras medidas que estão sendo adotadas para resolver o problema.

Especificamente sobre o Sistema Italuis, o presidente da Caema contou que foram investidos R$ 136 milhões, oriundos do Governo Federal, com contrapartida de R$ 55 milhões do Estado, em várias áreas para melhorar a rede de distribuição de água e a rede elétrica. Já o sistema abastece 60% de São Luís.

De acordo com Carlos Rogério, São Luís estava havia 400 dias sem rompimento na rede, mas existe um trecho que ser colocado tubos mais resistentes.