Entrevista concedida ao Jornal “O Imparcial” na edição de 08/09/2019

Correndo por fora dentro do próprio partido, o deputado estadual Dr. Yglésio também se coloca como pré-candidato à prefeito de São Luís. Apesar da cúpula do PDT confirmar o nome de Osmar Filho como preferido, ele ainda tem a expectativa de mudar a opinião do partido. Ainda em seu primeiro mandato eletivo, Yglésio tem buscado se destacar dentro da Assembleia Legislativa para migrar para o Poder Executivo em 2020, mesmo que para isso precise trocar de partido.

Perfil

O deputado estadual Dr. Yglésio é médico e professor universitário, tem 38 anos, é casado com Juliana Britto e pai de três filhos. Foi aprovado, em 2010, para o concurso de Professor de Anatomia da UFMA, sendo o mais jovem professor Doutor da história do Departamento. Permaneceu naquela Instituição de Ensino Superior (IES) até o ano de 2015. Atualmente, é professor de Habilidades Médicas da Universidade Ceuma. Exerce seu primeiro mandato parlamentar, com a votação expressiva de 39.804 eleitores para o quadriênio 2019-2022, pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT). Dos 42, foi o 24º parlamentar mais votado. Em 2014, ficou como primeiro suplente pelo Partido dos Trabalhadores (PT), com 16.032 votos. Além disso, ele também disputou eleição de vereador em São Luís em 2012, obtendo 1432 votos.

Por que você quer ser prefeito de São Luís? Vale a pena ocupar o cargo, mesmo com a crise financeira?

Primeiro, porque eu acredito que a cidade tem as ferramentas necessárias para desenvolver-se bem mais do que no estágio atual. Segundo, porque acredito que tenho a visão estratégica necessária para coordenar, engajar e manter motivados vários atores e atrizes sociais num projeto de cidade, coisa que até hoje não foi feita. Crise é sinônimo de oportunidade.

Neste cenário anticíclico que temos, é possível potencializar o trinômio receita/despesa/resultados, buscar parcerias em investimentos e acima de tudo, resgatar o espírito de confiança do ludovicense na cidade e nos seus agentes públicos , que há tempos está arranhado.

Cite três coisas que você considera fundamental para o futuro da capital?

1. Otimizar os custos com pessoal e fazer gestão de resultados na administração pública. A Prefeitura precisa deixar de ser uma grande gestora de folha de pagamento e transformar-se numa indutora de desenvolvimento da cidade.

2. Ampliar a cobertura de assistência primária na saúde e o parque de leitos hospitalares.

3. Mudar o paradigma de infraestrutura da cidade, incluídos aí os setores de trânsito/transportes a obras públicas.

Modelo híbrido técnico-político

Quais seriam as coisas que você mudaria primeiro na capital?

Primeiro: o modelo de gestão. Investiria num modelo híbrido técnico-político, mas com predominância técnica.

Segundo: buscaria uma relação muito melhor com a classe política, no sentido de ampliar o relacionamento com Brasilia (especialmente), com maior captação de emendas e investimentos federais. Além disso, criaria um núcleo de captação de recursos internacionais e de fomento a parcerias público-privadas. São Luís é um verdadeiro terreno aberto para parcerias, sejam elas institucionais ou de crédito. Um mérito da atual gestão foi a responsabilidade com as contas públicas, São Luís ainda goza de boa margem pra captação de receitas. Portanto, estou extremamente otimista com tudo que podemos criar à frente da prefeitura. Em outra frente, é preciso apresentar um plano pra São Luís que tenha um olhar generoso para uma população que tem sido invisibilizada, gente que precisa de uma política de acessibilidade e não apenas de rampas e placas em braile. Apresentar uma São Luís acessível, melhorar a acessibilidade dos terminais rodoviários, ruas, hospitais, repartições públicas. É preciso ser cidade para todos os Ludovicenses.

Aliança entre a Prefeitura e o Governo do Estado é essencial para a gestão?

É benéfica, é vantajosa, porém não é indispensável. É perfeitamente possível que um prefeito de São Luís faça uma boa gestão sem depender de governo estadual.

E com o Governo Federal?

O mesmo raciocínio do governo estadual vale pro governo federal. Com o adendo de que São Luís nunca foi prejudicada, nem creio que vai ser algum dia, por Brasília.

Por que você merece o voto do ludovicense?

Ainda estamos longe da eleição, não é momento de falar de voto e acho sempre complicado fazer autoavaliação ou autopropaganda, então o que tenho pra mostrar (e deixo a população livre pra avaliar) é uma vida dedicada aos estudos, ao trabalho pelo SUS, às grandes causas do legislativo maranhense e uma inquietude muito grande dentro de mim, que me faz não aceitar a cidade que temos do jeito que ela está. Tenho certeza que São Luís pode e merece muito mais.