Levantamento da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostra que 1,3 milhão de brasileiros deixaram de ter planos de assistência médica no último ano, com 617.000 novos desempregados só no primeiro trimestre deste ano.

Foram fechados quase 2 milhões de postos de trabalho entre 2016 e 2018, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Previdência Social. Muitos se veem em uma situação econômica difícil e cortar o plano de saúde acaba sendo uma opção para reduzir as despesas mensais. A saída então é recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS), gerando um aumento de demanda na rede pública.

Quando se analisa a realidade maranhense, o impacto da crise é ainda maior. O Maranhão tem cerca de 95% da população dependente do Sistema Único de Saúde e com a queda de arrecadação de impostos, os repasses para os municípios também vem sendo reduzidos. Some-se a isto o envelhecimento crescente da população, que transforma os hospitais públicos em ambientes cada vez mais repletos de pacientes graves, aumentando a demanda por recursos mais especializados e com custos crescentes. É uma equação que não fecha: menos recursos para gerenciar um sistema cada vez mais caro. O resultado disso é o sucateamento dos serviços de saúde, onde vemos a agonia dos municípios em realizarem suas ações de atenção básica e de média complexidade.

Quando um município não consegue custear seu sistema de saúde, a rede estadual fica sobrecarregada. A verdade é que UPA’s e hospitais estaduais/federais apresentaram um aumento significativo na demanda e passaram a ter dificuldades em atender adequadamente a população. É visível o esforço dos gestores responsáveis em aumentar a rede hospitalar, de incrementar os serviços, porém o subfinanciamento da Saúde no país tem deixado marcas profundas. Diariamente, vidas são perdidas por falta de leitos de UTI, de exames complexos em tempo hábil, de ausência de profissionais habilitados.

A saúde da população é o maior patrimônio dos governantes, pelo menos em tese deveria ser. Melhorar a gestão e o financiamento são o caminho pelo qual é imperioso caminharmos.  O SUS é muito mais do que um sistema de saúde: ele é a bandeira da dignidade do povo brasileiro.